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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A quem interessa a mentira?

A confiança do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Osmar Pinto, especialista em raios, afirmando que há mais de 99% de certeza que o apagão, que atingiu 18 estados brasileiros na terça-feira (10/11), não foi consequência de descarga elétrica (raios) no sistema de transmissão de energia levanta a questão dos motivos para as fontes oficiais culparem a mãe natureza.
O Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, deu o caso do apagão por encerrado, alegando que a quebra no fornecimento de energia de Itaipu teve causa climática, podendo ter sido um raio, ventos ou chuvas fortes na região de Itaberá, interior de São Paulo.
Segundo relatório do INPE, havia tempestade de médias proporções na região indicada pelo ministro, com 25 descargas elétricas (raios) de baixa intensidade, tendo o raio mais próximo das linhas de transmissão caído há 2 quilômetros de distância e com fraca intensidade.
Para o pesquisador, alegar que o apagão desligou 18 estados brasileiros é admitir que nosso sistema de energia é extremamente falho, já que a possibilidade disso acontecer é quase zero. No apagão de 1999, o governo federal apareceu com a mesma causa e o INPE, dois meses depois, comprovou que a natureza não era a culpada. O avanço tecnológico permitiu ao instituto fornecer um laudo mais rápido.
Tanta gente já deu sua opinião, o tema ficou repetitivo, mas não resisti quando vi a certeza do pesquisador de que o motivo do apagão estava errado. Preferir admitir falha no sistema por permitir que um simples raio parasse o País é estranho, já que isso leva a incompetência de gerência. Deve haver algum motivo grande, que desconhecemos. Falta de verba para investimento? Desvio de verba, que não permite o investimento? Parece que há algumas possibilidades que levam à falta de investimento como o motivo mais provável.
Cheguei a ouvir alguém dizer que a energia no Brasil é barata e que se quiséssemos um sistema melhor e mais seguro o brasileiro teria que pagar a conta. É um absurdo! Nossa energia está vinculada à água, que a hidrelétrica não paga para produzir a energia. Como pode os dois estados mais populosos do País, São Paulo e Rio de Janeiro serem os mais afetados por dependerem de uma única fonte de energia?
Podemos criar novas fontes de energia como alternativas e não precisa ser necessariamente a construção de uma nova hidrelétrica, no rio Xingu, no Pará, que tem leilão marcado para dia 21 de dezembro para produzir 11.233 MW.
Há alternativas de energia elétrica, que podem ser obtidas com sustentabilidade. Somos um País tropical, com sol presente praticamente o ano inteiro em todos os estados, então por que não temos energia solar forte? No nordeste do Brasil o vento é intenso daí vem a pergunta por que a energia eólica não explora todo o potencial? A quem interessa fazer milhões de pessoas dependerem de uma única fonte de energia? Talvez daqui a pouco algumas respostas apareçam, afinal 2010 é ano eleitoral.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia do Professor - Quando se perde o respeito?

Foi na infância que comecei a formar a mulher que sou hoje. Nessa fase da vida aprendi que, além de respeitar a família e os mais velhos, tinha que respeitar o professor. Não por medo, mas porque ele tinha algo a me ensinar e eu devia ouvir. RESPEITO foi o que sempre aprendi em casa e tinha que exercitar em grupo, na sociedade, na escola.
E como está o RESPEITO nos dias de hoje? Como essa futura geração, que conduzirá as decisões do País, exercita isso? De que forma estão sendo educados em casa? Como um aluno pode respeitar um professor se muitos pais não dão esse exemplo?
RESPEITO é algo a ser ensinado e essa atitude em relação ao professor parte de casa. Um pai hoje não houve mais quando um professor alerta que seu filho passa por um problema. O que interessa é a aprovação no final do ano letivo.
O noticiário mostra alunos espancando professores, adolescentes saindo do ensino fundamental sem saber ler. E falo de ler no sentido amplo da palavra, que é compreender o que está sendo lido e não apenas juntar letras para formar palavras, que formam frases e assim por diante.
Pais desrespeitando professores não é algo que se vê no noticiário com frequência. É preciso conhecer um professor. Tenho uma irmã educadora em instituição privada, que tem uma formação praticamente completa (magistério, pedagogia e psicologia). Na rotina do seu dia a dia ela precisa, além de educar e lidar com as personalidades e características de seus alunos, lidar com uma mãe ou um pai indignado, que grita, discute e desrespeita um professor por seu filho ter uma “nota vermelha”.
O que fazer com um aluno de 10 anos, que explica que poluição sonora é a evaporação do som, que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil quando a escola caiu. Tudo isso documentado em prova. O professor orienta o pai, explica, mas de nada adianta. A única coisa que querem é ver a cor vermelha desaparecer e surgir uma azul. Sem importar se a nota foi conquistada por mérito ou por pressão do tipo: “Tô pagando!” Minha irmã é uma persistente e uma resistente.
Não sei de onde muitos pais tiram a idéia de que quem deve educar seus filhos é só a escola. Que tipo de criança e adolescente foram esses pais? Que dificuldade ou que falta de interesse leva pais a não transmitirem conceitos, moral e ética a seus filhos desde sempre?
Um professor deve ser respeitado e isso não significa apenas ser “bem pago”, afinal isso não traz respeito. É preciso reconhecer a importância de um professor em todas as fases de um indivíduo, sem distinção de idade.
A profissão PROFESSOR está entre as mais NOBRES. São eles que vão formar médicos, engenheiros, jornalistas, presidentes da República, governadores, prefeitos. Esse conceito é até cansativo de se ler, porque é algo que sabemos, mas que se faz necessário lembrar constantemente.
Um dos pontos em comum de todo cidadão seria ter tido um professor, infelizmente não são todos os brasileiros que dispõe dessa oportunidade. Analfabetos e alfabetos funcionais são cegos para a vida. É o professor que abre caminhos, que faz com que a criança venha a se tornar um cidadão pleno de seus direitos e deveres, faz com que seja possível raciocinar, argumentar e fazer escolhas conscientemente.
No Japão, o professor é o único profissional a que é permitido permanecer de pé ao falar com o imperador, sem precisar cumprir o ritual de se ajoelhar. Esse é um sinal de respeito pela pessoa que colabora na formação de uma nação.
Vamos refletir nesse dia do professor. Gostaria que os pais vasculhassem a memória do que aprendeu em casa, na escola. Será que um dia isso muda?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Caos da saúde pública e privada

Não é segredo para ninguém que a saúde pública no Brasil está um caos há muito tempo. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição de 1988, para garantir o direito inalienável de todo brasileiro à saúde, mas acontece o inverso. Os que têm certo poder aquisitivo ou trabalham com carteira assinada pagam planos de saúde individuais ou coletivos e, mesmo assim, enfrentam descaso quando necessitam.
Quando criança utilizei muito a saúde pública, acredito que os planos de saúde privados talvez fossem embriões, mas não lembro de minha mãe reclamar por falta de atendimento ou espera longa. O SUS pode ter começado bem, mas não acompanhou o crescimento da população para atender suas necessidades.
O caos instalado na saúde pública tem raízes difíceis de serem erradicadas, como a terrível máquina burocrática, falta de médicos, de verba, politicagem. A consequência é a disseminação de doenças por falta de tratamento, ou encarecimento dos custos da saúde por não haver meios de promover a prevenção de doenças, ou em casos mais graves a morte.
No plano de saúde, uma dificuldade está em obter o pronto atendimento e ser tratado com decência por um serviço que é privado. Conheço uma paciente que ficou três horas deitada numa maca, num corredor do centro cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Santos. Após uma cirurgia de varizes, com recomendação médica para evitar caminhar, na saída do hospital ouviu um: “- Olha, tô sem cadeira de rodas no setor. Vai andando devagarinho até a saída.”
A paciente foi obrigada a discutir para que a enfermeira fosse à busca da cadeira. Esse é apenas um exemplo, e dos menores, dos problemas da péssima prestação de serviços nos planos de saúde.
Será que as coisas só funcionam com um: “-Tô pagando!!!”

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fé cega deve dar lugar ao equilíbrio

O homem tem o livre arbítrio e a razão, que o diferencia dos outros animais, e dá a oportunidade de fazer escolhas de forma clara, após analisar prós e contras. Diante deste fato científico e divino (ambos são considerados uma dádiva de Deus), que nos diferencia, deveria ser inconcebível que existisse a crença cega.
Mas, ela existe. É um fato. O mundo hoje é de extremos: capitalismo feroz e clamor por solidariedade; o homem sem fé e o que morre pela fé. A sociedade e o indivíduo precisam do equilíbrio, do meio termo que o livre arbítrio permite por se ter a capacidade de racionalizar.
Temos uma sociedade com vários tipos de pessoas: inteligentes, ignorantes, ingênuas, que precisam se iludir, que estão perdidas, que precisam de apoio e por aí vai. Por isso, quem engana pessoas de bem com falsas promessas de solidariedade e de fé não deveriam ser considerados lideres de nada, pois se aproveitam de uma cegueira momentânea.
Aos cegos seguidores vale o ditado de que o “Pior cego é aquele que não quer enxergar”. A fé é importante para o ser humano, sem ela pode-se pensar: para que viver? Mas, mesmo sendo uma pessoa de fé é preciso ter a consciência de que não se pode ficar preso ao raciocínio de outro, por correr o risco de se prejudicar, de se sentir ferido pelo que foi engendrado.
Escândalos de desvio de dízimos, líder ensinando outros líderes a arrecadar mais dinheiro, tendo como postura a seguinte frase: “Se quiser bem, se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce!” (sic). Que tipo de líderes da fé teremos conduzindo milhões e milhões de fiéis?
Infelizmente, ludibriar um grupo de pessoas não acontece só em uma religião, fiéis cegos existem em todas, assim como confiar cegamente em um político, em um colega de trabalho, em um amigo. Corro o risco de parecer piegas, mas o ser humano erra e diante disso a razão é essencial, é a que mostrará o caminho do equilíbrio e isso não significa ser incrédulo e deixar de confiar no outro.